Portugal, a lobbylândia
Ora bem, por onde começar? Podia estar aqui a falar do nosso país, dos seus defeitos e das suas virtudes mas convenhamos que esse exercício já foi feito muitíssimas vezes e com uma inquestionável qualidade sem que tenham surtido efeitos, pelo menos aparentes, já que as coisas continuam iguais mesmo tendo sido encontrados os problemas, e dado o espírito deste blog não seria o exercício indicado pelo que vou-me concentrar em desmascarar os lobbies e os grupos de pressão que, não olhando a meios para atingir os seus interesses, tentam influenciar todas as decisões importantes para o nosso país. Estes lobbies são dos mais variados tipos e das mais variadas áreas - quer de actividade, religião ou área geográfica - pelo que em abono do rigor e da qualidade jornalística vou-me concentrar apenas nos mais importantes e poderosos.
Primeiramente, e dada a minha proximidade geográfica dele, é necessário falar do lobby da construção civil em Braga. Não sei se é do conhecimento geral mas a cidade de Braga é a 3ª cidade da Europa que mais cresceu nos últimos 10 anos pelo que esse crescimento foi acompanhado por uma expansão incontrolável na área da construção civil e das empresas do ramo. Este facto até poderia ser benéfico pois significaria mais emprego e melhor nível de vida para população e se esse crescimento fosse racional e planeado significaria que os bracarenses teriam uma cidade onde seria muito agradável viver com uma qualidade de vida acima da média só que infelizmente tal não aconteceu. A triste realidade é que os empreiteiros aliados ao corrupto, perdão, frágil e influenciável poder politico da cidade tornaram a nossa cidade num enorme bloco de betão que tem por únicos espaços verdes de assinalável importância o musgo nos prédios, principalmente no bairro das Amoreiras, e o recentemente ardido monte Picoto. “E o Bom Jesus e o Sameiro?” perguntará o culto leitor. Bem, esses ainda conservam considerável verdura mas que infelizmente tem vindo a desaparecer para dar lugar a mais vivendas de luxo vendidas a um preço exorbitante pelo que qualquer dia veremos o célebre escadório do Bom Jesus ladeado por prédios de 12 andares cheios de brasileiras na prática da sua actividade profissional. Até o Rio Este, o único curso de água de assinalável importância que percorre a cidade, foi em grande parte encanado e serve hoje de esgoto para os prédios da cidade. Claro que este fenómeno foi benéfico para alguns, nomeadamente para os próprios empreiteiros que se viram a braços com uma choruda conta bancária e para os autarcas que sofrem do mesmo mal e que além disso vêem custeadas por “generosos dadores” as suas caríssimas campanhas eleitorais. Este fenómeno é corroborado pela recente, e para a maioria do país surpreendente, compra dos terrenos da antiga feira popular em Lisboa por parte de uma empresa de construção civil de Braga por um preço exorbitante que mais ninguém no ramo conseguiu pagar. Recomenda-se para mais esclarecimentos a audição da canção dos Minidrunfs a propósito deste tema.
Em seguida falaremos do lobby dos agricultores. Pois é, embora a maioria de nós pense que a agricultura é um sector em queda, que não tem qualquer perspectiva futura e que já ninguém liga ao que os agricultores dizem, a realidade não é de todo essa. Se há lobby que consegue impor a sua vontade e fazer cumprir os eus objectivos é o da agricultura. Senão vejamos, todos os anos vemos na comunicação social notícias de agricultores que devido a causas naturais, ou não, dizem ter perdido irremediavelmente as suas colheitas tendo um prejuízo de centenas de milhar de euros pelo que exigem que o governo lhes atribua chorudos subsídios que compensem essas perdas. Esta realidade poderia ser considerada normal, pois é um facto que todos os anos a mãe natureza surpreende-nos com fenómenos climatéricos anormais e todos nós sabemos a gravidade das consequências deles. Só que o estranho de toda esta situação é que estes fenómenos à partida anormais repetem-se todos os anos, nos mesmos locais e afectando os mesmos agricultores. Coincidência? Não me parece. O facto é que dá mais lucro aos agricultores aproveitarem esta politica de subsídios do que adaptarem-se às novas realidades climáticas, melhorando as suas condições técnicas de cultivo ou mesmo pondo a hipótese de cultivar uma espécie vegetal que se adapte melhor a essas novas realidades climáticas. Para não falar do facto de que muitas vezes as causas dessas perdas são duvidosas e questionáveis indo desde a chuva ou calor intenso até à praga de vizinhos que adoram cerejas e que vão roubá-las pelo que é necessário um subsídio que compense este facto. E o governo, em vez de questionar esta realidade e tomar medidas para a combater, prefere atribuir estes subsídios pois receiam que os agricultores venham de tractor para Lisboa e se manifestem à porta da Assembleia da República ou do Palácio de S. Bento descarregando maçãs ou outra coisa qualquer nas ruas, tornando-se noticia de abertura dos telejornais e causando embaraço ao executivo. Mas Portugal não é o único país onde se verifica este fenómeno, embora ele ocorra de maneira diferente. Por exemplo, na França, os agricultores das regiões mais secas do país também se queixavam da falta de água e que se as coisas continuassem assim talvez fosse preciso o tal subsidio compensatório, mas o governo francês, ao contrário do nosso, em vez de o fazer gastou esse dinheiro na prospecção de lençóis de água desconhecidos tendo sido bem sucedido nessa busca e resolvendo assim os problemas de falta de água da região. E a pergunta que se impõe é: Porque é que aqui não se faz o mesmo? Porque os nossos governantes receiam os agricultores e os seus tractores! Caro leitor, a extensão e poder do lobby da agricultura vê-se na UE e na PAC (Politica Agrícola Comum), onde a maioria do seu orçamento anual é destinado aos subsídios compensatórios que se atribuem aos agricultores(!) aprofundado o atraso e o défice produtivo da nossa agricultura.
Para concluir falaremos do lobby mais poderoso que existe no nosso país, o lobby das novelas. Quer sejam portuguesas, brasileiras, venezuelanas, mexicanas ou mesmo americanas, elas invadem diariamente a nossa casa através do televisor poluindo as nossas mentes e traumatizando-nos profundamente para o resto das nossas vidas. Tudo começou na década de 70 quando a RTP começou a importar as novelas brasileiras para o nosso país e desde então Portugal nunca mais foi o mesmo. Ano após ano elas foram conquistando o seu espaço e hoje ocupam não só grande parte da emissão diária dos canais generalistas - será que ainda os podemos denominar assim? - como a totalidade do chamado “horário nobre”. Todos os dias quando ligamos a televisão damos de caras com actores de 3ª categoria que representam pior que o Chuck Norris nos primeiros “Força Delta” e enredos que parecem saídos dos mesmos filmes só que com algumas tentativas falhadas de os tornar mais interessantes, que qualquer espectador mais atento ou com um pouco de experiência em literatura ou cinema do género consegue antecipar o seu desfecho facilmente. À partida a solução do problema surgiria por si só com os portugueses a deixarem de ver estes tristes espectáculos mas a invasão foi tão forte que a única maneira de não as visualizar seria desligarem a TV. Com o passar dos tempos as coisas em vez de melhorarem pioraram surgindo então o nosso pior pesadelo: as novelas portuguesas à la TVI. Estas novelas, além de terem todos os defeitos das suas antecessoras pioraram o cenário ao aliar a este já triste espectáculo os genéricos e uma banda sonora repleta de música pimba cantada pelos mais eminentes cantores portugueses do género.
Um exemplo paradigmático deste fenómeno é a TVI e a sua emissão diária. Desde a abertura até ao encerramento da sua emissão, a TVI emite novelas durante mais tempo do que qualquer outro programa seu ou outro canal televisivo nacional e mesmo com as audiências das suas novelas em queda continua a apostar neste conceito fortemente. Com programações repletas de novelas, programas e telejornais sensacionalistas como pode o nível intelectual da população portuguesa subir? As entidades que deveriam dar o exemplo e que têm melhores meios para o fazer não cumprem essa obrigação - penso que “obrigação” é o termo correcto já que é dever de todos os portugueses tentarem fazer tudo ao seu alcance para melhorar o nosso país. Os próprios telejornais - desviando-me agora um pouco do assunto - são dos que menos contribuem ao terem como noticia de abertura a Tia Maria que lhe caiu uma telha na cabeça ou o pastorinho benfiquista de Trás-os-Montes que sonha vir a Lisboa conhecer o Mantorras… Elevação, precisa-se.
Concluindo agora esta minha missão de identificar alguns dos muitos lobbies que existem no nosso país faço votos para que tenha ficado mais elucidado a respeito destes pequenos polvos que com os seus tentáculos procuram controlar tudo à sua volta, pequenos pois o polvo gigante já não é um lobby, é o próprio sistema. Vocês sabem do que eu estou a falar, sim, os D’ZRT. Mas essa é uma outra história da qual vos falaremos mais à frente quando revelaremos ao país e ao mundo essa realidade dissimulada, poderosa e maléfica que sem nós sabermos controla o nosso dia-a-dia.
Não se esqueçam, “the truth is outhere”.
Primeiramente, e dada a minha proximidade geográfica dele, é necessário falar do lobby da construção civil em Braga. Não sei se é do conhecimento geral mas a cidade de Braga é a 3ª cidade da Europa que mais cresceu nos últimos 10 anos pelo que esse crescimento foi acompanhado por uma expansão incontrolável na área da construção civil e das empresas do ramo. Este facto até poderia ser benéfico pois significaria mais emprego e melhor nível de vida para população e se esse crescimento fosse racional e planeado significaria que os bracarenses teriam uma cidade onde seria muito agradável viver com uma qualidade de vida acima da média só que infelizmente tal não aconteceu. A triste realidade é que os empreiteiros aliados ao corrupto, perdão, frágil e influenciável poder politico da cidade tornaram a nossa cidade num enorme bloco de betão que tem por únicos espaços verdes de assinalável importância o musgo nos prédios, principalmente no bairro das Amoreiras, e o recentemente ardido monte Picoto. “E o Bom Jesus e o Sameiro?” perguntará o culto leitor. Bem, esses ainda conservam considerável verdura mas que infelizmente tem vindo a desaparecer para dar lugar a mais vivendas de luxo vendidas a um preço exorbitante pelo que qualquer dia veremos o célebre escadório do Bom Jesus ladeado por prédios de 12 andares cheios de brasileiras na prática da sua actividade profissional. Até o Rio Este, o único curso de água de assinalável importância que percorre a cidade, foi em grande parte encanado e serve hoje de esgoto para os prédios da cidade. Claro que este fenómeno foi benéfico para alguns, nomeadamente para os próprios empreiteiros que se viram a braços com uma choruda conta bancária e para os autarcas que sofrem do mesmo mal e que além disso vêem custeadas por “generosos dadores” as suas caríssimas campanhas eleitorais. Este fenómeno é corroborado pela recente, e para a maioria do país surpreendente, compra dos terrenos da antiga feira popular em Lisboa por parte de uma empresa de construção civil de Braga por um preço exorbitante que mais ninguém no ramo conseguiu pagar. Recomenda-se para mais esclarecimentos a audição da canção dos Minidrunfs a propósito deste tema.
Em seguida falaremos do lobby dos agricultores. Pois é, embora a maioria de nós pense que a agricultura é um sector em queda, que não tem qualquer perspectiva futura e que já ninguém liga ao que os agricultores dizem, a realidade não é de todo essa. Se há lobby que consegue impor a sua vontade e fazer cumprir os eus objectivos é o da agricultura. Senão vejamos, todos os anos vemos na comunicação social notícias de agricultores que devido a causas naturais, ou não, dizem ter perdido irremediavelmente as suas colheitas tendo um prejuízo de centenas de milhar de euros pelo que exigem que o governo lhes atribua chorudos subsídios que compensem essas perdas. Esta realidade poderia ser considerada normal, pois é um facto que todos os anos a mãe natureza surpreende-nos com fenómenos climatéricos anormais e todos nós sabemos a gravidade das consequências deles. Só que o estranho de toda esta situação é que estes fenómenos à partida anormais repetem-se todos os anos, nos mesmos locais e afectando os mesmos agricultores. Coincidência? Não me parece. O facto é que dá mais lucro aos agricultores aproveitarem esta politica de subsídios do que adaptarem-se às novas realidades climáticas, melhorando as suas condições técnicas de cultivo ou mesmo pondo a hipótese de cultivar uma espécie vegetal que se adapte melhor a essas novas realidades climáticas. Para não falar do facto de que muitas vezes as causas dessas perdas são duvidosas e questionáveis indo desde a chuva ou calor intenso até à praga de vizinhos que adoram cerejas e que vão roubá-las pelo que é necessário um subsídio que compense este facto. E o governo, em vez de questionar esta realidade e tomar medidas para a combater, prefere atribuir estes subsídios pois receiam que os agricultores venham de tractor para Lisboa e se manifestem à porta da Assembleia da República ou do Palácio de S. Bento descarregando maçãs ou outra coisa qualquer nas ruas, tornando-se noticia de abertura dos telejornais e causando embaraço ao executivo. Mas Portugal não é o único país onde se verifica este fenómeno, embora ele ocorra de maneira diferente. Por exemplo, na França, os agricultores das regiões mais secas do país também se queixavam da falta de água e que se as coisas continuassem assim talvez fosse preciso o tal subsidio compensatório, mas o governo francês, ao contrário do nosso, em vez de o fazer gastou esse dinheiro na prospecção de lençóis de água desconhecidos tendo sido bem sucedido nessa busca e resolvendo assim os problemas de falta de água da região. E a pergunta que se impõe é: Porque é que aqui não se faz o mesmo? Porque os nossos governantes receiam os agricultores e os seus tractores! Caro leitor, a extensão e poder do lobby da agricultura vê-se na UE e na PAC (Politica Agrícola Comum), onde a maioria do seu orçamento anual é destinado aos subsídios compensatórios que se atribuem aos agricultores(!) aprofundado o atraso e o défice produtivo da nossa agricultura.
Para concluir falaremos do lobby mais poderoso que existe no nosso país, o lobby das novelas. Quer sejam portuguesas, brasileiras, venezuelanas, mexicanas ou mesmo americanas, elas invadem diariamente a nossa casa através do televisor poluindo as nossas mentes e traumatizando-nos profundamente para o resto das nossas vidas. Tudo começou na década de 70 quando a RTP começou a importar as novelas brasileiras para o nosso país e desde então Portugal nunca mais foi o mesmo. Ano após ano elas foram conquistando o seu espaço e hoje ocupam não só grande parte da emissão diária dos canais generalistas - será que ainda os podemos denominar assim? - como a totalidade do chamado “horário nobre”. Todos os dias quando ligamos a televisão damos de caras com actores de 3ª categoria que representam pior que o Chuck Norris nos primeiros “Força Delta” e enredos que parecem saídos dos mesmos filmes só que com algumas tentativas falhadas de os tornar mais interessantes, que qualquer espectador mais atento ou com um pouco de experiência em literatura ou cinema do género consegue antecipar o seu desfecho facilmente. À partida a solução do problema surgiria por si só com os portugueses a deixarem de ver estes tristes espectáculos mas a invasão foi tão forte que a única maneira de não as visualizar seria desligarem a TV. Com o passar dos tempos as coisas em vez de melhorarem pioraram surgindo então o nosso pior pesadelo: as novelas portuguesas à la TVI. Estas novelas, além de terem todos os defeitos das suas antecessoras pioraram o cenário ao aliar a este já triste espectáculo os genéricos e uma banda sonora repleta de música pimba cantada pelos mais eminentes cantores portugueses do género.
Um exemplo paradigmático deste fenómeno é a TVI e a sua emissão diária. Desde a abertura até ao encerramento da sua emissão, a TVI emite novelas durante mais tempo do que qualquer outro programa seu ou outro canal televisivo nacional e mesmo com as audiências das suas novelas em queda continua a apostar neste conceito fortemente. Com programações repletas de novelas, programas e telejornais sensacionalistas como pode o nível intelectual da população portuguesa subir? As entidades que deveriam dar o exemplo e que têm melhores meios para o fazer não cumprem essa obrigação - penso que “obrigação” é o termo correcto já que é dever de todos os portugueses tentarem fazer tudo ao seu alcance para melhorar o nosso país. Os próprios telejornais - desviando-me agora um pouco do assunto - são dos que menos contribuem ao terem como noticia de abertura a Tia Maria que lhe caiu uma telha na cabeça ou o pastorinho benfiquista de Trás-os-Montes que sonha vir a Lisboa conhecer o Mantorras… Elevação, precisa-se.
Concluindo agora esta minha missão de identificar alguns dos muitos lobbies que existem no nosso país faço votos para que tenha ficado mais elucidado a respeito destes pequenos polvos que com os seus tentáculos procuram controlar tudo à sua volta, pequenos pois o polvo gigante já não é um lobby, é o próprio sistema. Vocês sabem do que eu estou a falar, sim, os D’ZRT. Mas essa é uma outra história da qual vos falaremos mais à frente quando revelaremos ao país e ao mundo essa realidade dissimulada, poderosa e maléfica que sem nós sabermos controla o nosso dia-a-dia.
Não se esqueçam, “the truth is outhere”.

